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17/03/2009
Especialistas discutem novas formas de medir a corrupção

Os índices de corrupção medidos pela “percepção” do problema podem estar com os dias contados. Estudiosos e pesquisadores do tema, no Brasil e no exterior, debateram o assunto nesta segunda-feira (16/03), em Brasília, com vistas a formular metodologias mais efetivas e adequadas para medir a corrupção.

As conclusões da II Oficina Internacional de Mensuração do Fenômeno da Corrupção, promovida pela Controladoria-Geral da União (CGU), com apoio do Escritório da ONU sobre Drogas e Crimes e da Embaixada do Reino Unido no Brasil, vão servir de base para a discussão do assunto no VI Fórum Global Contra a Corrupção, programado para novembro próximo, em Doha, no Qatar.

Efeito colateral

Ao abrir a oficina, o ministro-chefe da CGU, Jorge Hage, disse que os índices obtidos pelos velhos métodos continuam a ser divulgados a cada ano, contribuindo para consolidar imagens muito questionáveis sobre a realidade dos países e os avanços verificados no mundo.

“É como se a realidade da luta contra a corrupção, que se intensificou nos últimos anos em diversos países, não tivesse acontecido”, criticou, sustentando que a divulgação de alguns desses índices tem um “efeito colateral danoso e perverso”, que joga contra o próprio combate à corrupção, desencorajando-o.

É que muitos governos, segundo ele, sentem-se temerosos de engajar-se nesse combate, porque ao investigar mais e trazer à tona os casos de corrupção que antes permaneciam numa certa penumbra, isso chama atenção da sociedade para o problema e cria, num primeiro instante, a noção de que a corrupção está aumentando naquele país, naquele momento.

Preço político

“Então, a opção que se apresenta melhor para alguns é não mexer no assunto, pois o preço político do desgaste de imagem pode ser muito alto”, analisou o ministro. Para ele, o problema pode ser ainda maior se, além de ampliar a investigação dos casos de corrupção, amplia-se também a transparência sobre as contas públicas.

“Nós passamos por isso aqui no Brasil; vimos nosso País cair em rankings baseados em percepção, justamente na medida em que se intensificava aqui o combate à corrupção, com a exposição pública, nos jornais e na TV, do aumento do número de prisões, pela Polícia Federal, de integrantes de quadrilhas como as máfias das ambulâncias e dos vampiros”, exemplificou o ministro.

Caminho certo

O professor norte-americano Nikos Passas defendeu a medição da corrupção com base em informações que levem em conta a realidade de cada país. Ele critica os dados utilizados atualmente, resultantes de questionários elaborados fora dos países pesquisados e sem considerar seus problemas específicos.

O próprio Nikos trabalha na formatação de um novo método que, segundo ele, deve “mostrar para onde os países estão indo e não onde eles estavam”. O método em estudo pelo professor considera medidas adotadas por cada país, individualmente, no combate à corrupção; leva em conta diferenças regionais internas em cada país e permite comparações com outros países.

Para o professor norte-americano, “o Brasil está no caminho certo” no combate à corrupção. “É muito bom ver que há equipes qualificadas trabalhando na busca por melhores técnicas, uma evidência de preocupação com o tema. Esse evento de hoje é uma iniciativa que mostra o quanto o governo brasileiro considera importante, para se decidir sobre o planejamento de ações, interagir com especialistas, analisar fatos e informações”, concluiu.

Além da CGU, do UNODC e da Embaixada do Reino Unido no Brasil, participaram do evento representantes da Universidade Católica de Brasília; Universidade do Estado do Rio de Janeiro; Fundação Getúlio Vargas; Universidade Federal de Santa Catarina; Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro; Centro Universitário de Brasília; Universidade Federal de Minas Gerais; Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas; Estratégia Pública Pesquisa e Consultoria e Universidade Federal de São Carlos.

Assessoria de Comunicação Social
Controladoria-Geral da União

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